quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Dúvidas que me assolam II

Serei eu a única pessoa no mundo que aquece a gelatina no microondas durante 15 segundos antes de a comer, de modo a não ficar maldisposta? É uma dúvida que me assola fortemente. 

Ah, também aqueço gelado, mas é porque gosto dele quase derretido. Mais alguém? 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O demónio e os livros ou A Menina Sugere Isto XXXII

Falei-vos há uns dias do demónio que se mudou cá para casa. Pois bem, o dito bicho tem um belíssimo e muito útil suporte para livros ou para tablets, de modo a podermos ver séries ou ler enquanto pedalamos.

Livros em papel não coloco lá porque não tenho paciência para virar as páginas quando a única coisa que quero é cair para o lado acabar o raio do programa seleccionado rapidamente. Mas o Kindle tem cumprido lindamente a sua função. E tendo luz no ecrã até posso estar com o quarto quase às escuras que leio na mesma. É maravilhoso.

Com isto tudo, li dois livros desde que o demónio se mudou cá para casa. Ambos de literatura infanto-juvenil, mas de duas colecções de que gosto bastante e que são para lá de conhecidas: Crónicas de Nárnia e Manolito Gafotas. Da primeira li o segundo volume, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, e da segunda colecção li o quarto livro, intitulado Trapos Sucios. Este tipo de literatura é óptimo para o contexto de leitura de que falo. Enquanto suamos as estopinhas, apetece qualquer coisa que nos agarre sem exigir muito do cérebro, que está concentrado em maldizer a vida realizar o exercício.

Ambas as colecções são muito boas, ainda que completamente distintas. Das Crónicas de Nárnia penso que nem seja preciso falar muito. C. S. Lewis é o autor e os vários volumes desta colecção de literatura infanto-juvenil / fantasia mostram ao leitor dois mundos: aquele de que partem as personagens e que corresponde à vida de todos os dias e o de Nárnia, um mundo completamente diferente, com tudo para ser perfeito, mas frequentemente ameaçado por forças malignas. Este segundo volume é o mais conhecido de todos, até pelas adaptações cinematográficas a que teve direito. Curiosamente gostei mais do primeiro, talvez pelo facto de o enredo ser, para mim, totalmente desconhecido e também por haver uma intrusão da magia no primeiro mundo, no da realidade que conhecemos. São livros bons para oferecer aos nossos miúdos, até por se tratarem de clássicos. É claro que há lá aspectos que são próprios da época da escrita (como os meninos receberem espadas para batalhar a torto e a direito e as meninas só poderem lutar em casos muitíssimo excepcionais, coisa para deixar os fanáticos pela igualdade de cabelos em pé), mas a literatura tem de ter a marca do tempo em que foi criada. Quem não gosta não lê e não chateia. Aos que sobrevivem a estas coisinhas que andam a secar o cérebro de quem tem pouco para fazer, fica a informação de que os sete livros estão publicados pela Presença.


Já para os livros que contam as aventuras de Manolito Gafotas é que não encontrei tradução em Português. Mas, a menos que sejam crianças que não sabem espanhol, lê-los-ão muitíssimo bem na língua original. Manolito Gafotas é uma das personagens literárias mais conhecidas do país vizinho. Elvira Lindo é a autora, mas o narrador é Manolito, uma criança dada aos azares, com uma família perfeitamente normal (dentro da anormalidade) de um bairro de Madrid: Carabanchel Alto. O que este miúdo nos vai contando são as trapalhadas que lhe acontecem, mas fá-lo de tal forma que é impossível não acabar à gargalhada. Desde o irmão pequenino que só é conhecido como «Imbécil» e que apenas fala na terceira pessoa («El nene quiere con Manolito!»), passando pela mãe que tem a mão pesada e não se coíbe de espalhar palmadas a torto e a direito cada vez que há disparate e chegando ao avô que é um excelente companheiro de Manolito, mas que não tem problemas nenhuns em embaraçar a família com os seus «pasodobles», tudo tem graça. Talvez vá dizer uma heresia, mas estes livros lembram-me os primeiros volumes dos diários de Adrian Mole. Embora os livros de Elvira Lindo não sejam diários, mas mais as memórias (o que de si já tem graça) de um garoto espanhol de uma família de classe média-baixa, a inocência com que algumas situações são descritas, o tom coloquial utilizado, as expressões tão engraçadas e tão próximas da oralidade recordam algumas das personagens que conhecemos com Adrian Mole. Manolito faz disparates imensos sem ter consciência deles (as palmadas da mãe acabam por mostrar-lhe o que fez), porém, noutras ocasiões é simplesmente levado para situações risíveis e os seus comentários ao que lhe acontece, o modo como interpreta as suas vivências são absolutamente deliciosos. São livros viciantes. Ao estilo Menino Nicolau, estão divinamente ilustrados e é impossível largá-los. Eu terminei o quarto volume enquanto pedalava no demónio e estou a segurar-me para não me atirar aos volumes que me falta ler.


Nota: A quem também choque muito a mãe do Manolito distribuir sopapos quando ele faz disparate, talvez seja melhor não ler esta colecção. A essas pessoas aconselho... sei lá... olharem para uma parede branca durante todo o dia. Só assim vão garantir que não toparão na literatura com coisas que podem ser entendidas como violência infantil, discriminação racial / sexual / ________ (preencham com o que quiserem), palavras desadequadas a mentes tão puras quanto uma parede branca e outras porcarias que só chocam quem quer ser chocado.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ryanair

Pergunto-me quantas das pessoas com voos cancelados a poucos dias da viagem continuarão a querer viajar com a Ryanair. Eu não quereria, certamente. Mesmo sendo low cost, há coisas que ultrapassam os limites, na minha opinião. 

E já agora: já alguém percebeu realmente a razão de tantos cancelamentos?!

domingo, 17 de setembro de 2017

O demónio

O meu moço comprou uma bicicleta estática para fazermos exercício. Ontem estive meia hora naquilo. Isso e uma ligeira constipação foram os responsáveis por uma noite em que mexer as pernas foi um fartote. Acho que estavam em modo anárquico e não respondiam aos comandos do cérebro. Estou até a sentir músculos que julgava não ter. Dói-me o rabiosque devido ao banquinho daquela entidade demoníaca. 

Sem dúvida: entrou-me o demónio em casa na forma de bicicleta. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Uma simpática lembrança


A Inês, do blogue Sempre em Viagens, foi uma querida e lembrou-se de mim nas suas andanças asiáticas. Fez-me chegar o belíssimo marcador pintado à mão que vêem na fotografia. A acompanhá-lo vinha um postal da sua terra, Vila Praia de Âncora (por onde só ainda passei de comboio, mas que tenho de visitar), no qual me explicava que teve a oportunidade de assistir à produção da folha na qual pintaram os monges que podem ver no marcador. E isto aconteceu numa aldeia do Laos (eu tive de ir ao mapa para encontrar o Laos...).

Gostei bastante desta lembrança e vou guardá-la com todo o carinho numa das prateleiras de literatura portuguesa. E a homenagear as raizes minhotas da Inês, o postal e o marcador descansarão junto a um «cabeçudo» em miniatura que trouxe de Viana do Castelo há uns anos e que é lourinho e clarinho como eu. Muito obrigada, Inês!

«Nárnia», versão subúrbios

C. S. Lewis criou, em meados do século passado, o universo de Nárnia. Em sete livros de fantasia, nasceu um mundo completamente novo para o qual se poderia entrar através de um roupeiro. Aliás, dos sete volumes, o que se tornou mais conhecido do público foi mesmo o que se intitulou O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. O Leão é, no fundo, um representante da sabedoria que acaba por ajudar as crianças que visitam Nárnia a livrar-se da bruxa que espalha o mal por todo o lado. Para chegarem a esse maravilhoso mundo fantástico, as crianças (são-no quase sempre) descobriram uma passagem no fundo de um guarda-roupa.

Ora bem, tenho uma versão das Crónicas de Nárnia cá em casa. Vejamos como.

O Senhor Gato está, desde que fomos de férias, mais dengoso e mimado. Parece que tem medo de que fujamos e, portanto, tem dormido no quarto porque a outra hipótese é... ouvi-lo chorar como nunca ouvimos antes. É estranho porque a minha mãe veio tratar deles na nossa ausência e eles estavam sempre animados e a brincar. Mas parece que a saudade bateu fortemente e o bicho não se afasta de mim mais de metro e meio. Assim, tem dormido no quarto e arranjou um esconderijo debaixo da cama. De vez em quando ouço-o ressonar e suspirar. Porém, o Senhor Gato é dado a dormir sestas e não noites inteiras. Isso faz com que acorde a meio da noite e queira que todos acordem para o mimar. Ultimamente a festa tem acontecido às quatro da manhã e com grande pompa. Passei, por isso, a apelidá-lo de «Rambo das Quatro da Manhã». É que ele acorda em modo «Eu vou partir esta m**** toda se não se levantarem para me adorar!». E eu levanto-me antes que ele cumpra.

Mas o felpudinho diabólico tem outro sistema para arrancar-me da cama ainda antes das cinco: tenta insistentemente abrir o roupeiro. Vejamos: ele sabe abri-lo e fá-lo ao longo do dia, mas de madrugada o barulho ganha outros decibéis. Portanto, a cena que se segue envolve a bruxa (eu) a levantar-se da cama para impedir o leão (que tem juba e tudo) de entrar no guarda-roupa (pirando-se para Nárnia ou simplesmente para o reino do toalhão de banho). A arte imita a vida e vice-versa. Este gato deve ter andado a ler C. S. Lewis durante a nossa ausência e agora acha que no fundo do roupeiro há um portal que o levará a um reino de atuns ou de tigelinhas de sopa. 

Resultado: lá vai a bruxa cheia de sono dar umas festas e comida (de que não precisava, mas pronto) ao pequeno leão chato que não sabe que a Nárnia-dos-Subúrbios só abre às nove.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Dúvidas que me assolam I

Quem terá sido a pessoa que olhou para um ovo de galinha e, mesmo depois de ver de onde ele saía, decidiu que pô-lo em água a ferver poderia dar um bom jantar?

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Chora, Camões, chora... XIV

Gastaria as minhas palavras para quê? Leiam e chorem, como Camões faria. Saiu da página do Facebook da revista Visão. Acho que nem vale a pena sublinhar os disparates: são demasiado evidentes. 




sábado, 9 de setembro de 2017

Chora, Camões, chora... XIII

No Expresso Curto de Sexta-Feira, dia 8 de Setembro:


"Cabra Cega Literária"

Ontem acabei (finalmente) o livro Um Quarto Com Vista e precisei de escolher outro livro porque costumo ler dois ao mesmo tempo. O meu moço foi dar comigo no escritório com ar de cão triste sem saber no que pegar. Até que resolveu o problema, baseando-se num jogo infantil. 

Lembram-se da "Cabra Cega"? Pois. Portanto, de olhos fechados fez-me dar umas voltas até já não saber para onde estava virada. Depois só me permiia dar cinco passos nas direcções que quisesse. Três para a frente, dois para o lado e preparei o indicador para, ainda de olhos fechados, escolher um livro. Baixei o braço, puxei um livro et voilà: problema resolvido. Estou a ler, porque a sorte assim o determinou, o livro A Volta do Gato Preto, de Érico Veríssimo (O Mesmo Senhor do Acidente em Antares, de que aqui falei). É um livro em que o autor fala da sua visão da América do Norte e dos seus habitantes, nascida a propósito do tempo que lá passou enquanto professor convidado de uma universidade. No fundo, acaba por ser um livro de viagens e vem bem a calhar pouco tempo depois do Viagens com o Charley, de Steinbeck, no qual o autor também viajava pela América do Norte e observava gentes, lugares e costumes. Steibeck levava o cão, Veríssimo levava a mulher e os dois filhos. 

Fiquei contente com a primeira edição da "Cabra Cega Literária". Acho que vou passar a escolher assim todos os livros que vou ler. É meio excêntrico e trabalhoso (já para não dizer perigoso porque há fortes probabilidades de se embater em qualquer coisa e dar cabo do dedo mindinho do pé), mas é engraçado e resulta, que é, no fim de contas, o que se quer. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Botas brancas

Não há nada mais feio do que botas brancas. Mas confesso que adoro estas:


Fazem um belo contraste com as collants mais escuras do Senhor Gato. E a posição das patinhas?! É um verdadeiro modelo fotográfico de pés. Uma sensualidade supimpa!


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Procura-se brancura

Depois das férias em Madrid e de muitos quilómetros palmilhados, os meus ténis Adidas Superstar, branquinhos, ficaram um nojo. Precisam desesperadamente de ser lavados. Resolvi pesquisar na internet sobre o melhor modo de lavar tais preciosidades (até porque imaginei que espetar com eles na máquina não seja a melhor das decisões). Meus caros, o que descobri com a minha pesquisa foi que é mais fácil construir um Airbus A380 apenas com o auxílio de um pau de gelado do que lavar os benditos ténis! Experimentem pesquisar e vejam se não é assim. Há páginas que até dividem o processo de lavagem por passos, portanto imaginem o que é necessário para devolver a brancura aos ténis. Deixo-vos aqui a página de que mais gostei por ser tão exaustivamente completa, mas cujos conselhos não vou seguir de certeza. Está bem que sou uma pessoa com muito tempo livre, porém, daí a passar um dia inteiro a limpar uns ténis vai um enorme passo...

domingo, 3 de setembro de 2017

A Menina QUERIA Isto, Mas Já Tem VIII


Gosto muito dos livros do João Tordo. Tenho-os todos, só me faltava este, problema que foi resolvido há pouco. Dos que já li, o meu favorito é o Três Vidas. Na minha opinião, João Tordo é, neste momento, um dos melhores autores portugueses desta nova geração. Cria enredos envolventes, misteriosos e que conseguem suscitar sempre uma sensação de estranheza que acaba por ser agradável ao longo da leitura. Como se nunca nos conseguíssemos esquecer de que estamos perante ficção e isso nos permitisse um olhar ainda mais incisivo sobre a acção e as personagens.

O Deslumbre de Cecília Fluss encerra a sua trilogia que começou com O Luto de Elias Gro. Ainda não li nenhum dos três. Antes quero passar por outros como o Hotel Memória ou O Ano Sabático. Este é daqueles autores que quero ter sempre totalmente na minha estante e ler devagarinho para saborear bem as suas palavras. Que continue, por isso, a escrever muito, sempre e bem.

Em busca de lugar na estante V


As prateleiras dedicadas aos livros de viagens ficaram mais compostas por estes dias. E tudo por um preço de amigo. Bons livros por poucos euros. O que mais poderíamos querer?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A Menina Quer Isto XCIX


Parece que a partir do dia 4 de Setembro este menino estará à venda nas livrarias. A Cavalo de Ferro anda imparável e ainda vai dar cabo de mim. Por agora vou ter de resistir porque vim de férias com uma biblioteca na mala, mas pronto... Fica o registo: a menina quer isto.